Será que é um bom momento para começar a investir em acções?

O índice S&P 500 caiu cerca de 34% desde seu máximo a 19 de Fevereiro (3394 pontos) até bater no fundo a 23 de Março (2192 pontos). Desde então, subiu cerca de 58%.

Com os mercados a atingir novos recordes históricos novamente, provavelmente começa a questionar-se se este é um bom momento para investir.

Vou partilhar a minha opinião neste artigo, mas primeiro temos que abordar alguns pré-requisitos importantes que devemos cumprir antes de colocar qualquer dinheiro a trabalhar num mercado inconvencional provocado pelo COVID-19...

Na minha opinião, investir em acções nunca deve ser o primeiro passo a ser dado para construir riqueza e estabelecer liberdade financeira. Deve ser um dos últimos.
Todos os investidores devem primeiro preparar terreno antes de se lançarem nesta aventura.

1. Defina claramente os seus objectivos de investimento

Parece óbvio, mas a maioria das pessoas com quem falo salta esta primeira etapa.
De modo geral, todos os investidores procuram fazer apenas três coisas básicas...

  • Gerar riqueza
  • Preservar o seu capital
  • Gerar um rendimento passivo constante

Identifique os seus objectivos e invista de acordo.
As acções, de forma geral, são o melhor veículo para ajudá-lo a gerar riqueza.
Hedges e hard assets podem ajudá-lo a preservar o seu capital.
Investimentos em obrigações e dividendos podem ajudá-lo a produzir uma renda passiva estável e segura.

2. Conheça o seu horizonte de investimento

Simplificando, quanto menor for o seu horizonte de investimento, menor deverá ser o risco que vai assumir no seu portfólio.

Isto ocorre porque os activos com o maior potencial de retorno (como acções de micro caps ou dívidas extremamente problemáticas) também tendem a ser os mais voláteis.
No longo prazo (mais de cinco anos) esses activos de risco tendem a apresentar um desempenho superior.
Por outro lado, no curto prazo, eles podem ter um desempenho muito inferior.

Se tiver apenas alguns anos e precisa do dinheiro, tente reduzir o risco e escolha opções de investimento que o ajudem a preservar o seu capital (Hedges e Hard Assets).

3. Entenda a sua tolerância ao risco

Esta etapa exige que seja completamente honesto consigo mesmo.

Será que tem temperamento para suportar perdas extremas no curto prazo que o investimento em activos de risco oferece?

Sente-se confortável com zigue-zagues para obter ganhos de investimento grandes, mas voláteis? Então invista em activos mais arriscados.
Se por outro lado prefere dormir bem à noite, escolha veículos mais seguros.

4. Limpe seu "balanço pessoal"

Este pode ser o pré-requisito mais importante para investir.
E ainda assim, inúmeras pessoas com empréstimos e dívidas de cartão de crédito evitam fazer este exercício.
Em suma, antes de colocar o seu dinheiro em qualquer acção, deve primeiro pagar as suas dívidas de alto custo.

Considerando o rendimento actual dos mercados e as taxas de juros, sugiro que use esta regra.

Liste todas as suas dívidas com uma taxa de juros anual superior ou igual 6%.
Procure consolidar e refinanciar as suas dívidas a uma taxa abaixo desse limite.
As taxas de juros de empréstimos para aquisição de casa própria nunca foram tão baixas.

As dívidas que não pode refinanciar abaixo desse limite, pague-as.

Se está apenas interessado em preservar o seu capital, se tem um horizonte de investimento inferior a 5 anos, se não consegue tolerar grandes perdas no curto prazo, e se tem dívidas com taxas de juros de 6% ou mais.

Não invista em acções hoje. Ponto final.

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